Discos lançados em setembro de 2017 que você deveria ouvir (Parte 1)

Setembro chegou ao fim, e com isso separamos novamente os melhores lançamentos do mês para você ouvir. Na lista deste mês (em duas partes), selecionamos 10 álbuns de artistas estreantes como Cinnamon Tapes, até artistas já conhecidos na cena independente como Herod e Tim Bernardes.

 

1. ABC Love – ABC Love e o Álbum do Prazer

ABC-LoveA Band Called Love, ou simplesmente ABC Love, acaba de lançar seu primeiro disco cheio, pelo selo Balaclava Records. Com 10 faixas, o álbum do projeto idealizado e liderado pelo fictício e misterioso senhor de 70 anos chamado Gevard DuLove, traz um trabalho carregado de sensualidade e nostalgia, acompanhados por uma sonoridade que remete a psicodelia e o experimentalismo. Além disso, a obra brinca com um universo onde o mistério, o medo e o erotismo se encontram.

Pra Quem Gosta De: Psicodelia
Melhor Faixa: La Petite Étoile
Avaliação: 3,5/5

 

2. Baco Exu do Blues – Esú

Baco-Exu-do-Blues-Esú-capaDepois do sucesso da canção Sulicídio, Diogo Moncorvo, mais conhecido por Baco Exu do Blues, lança seu primeiro álbum. Com 10 faixas, o trabalho que foi produzido por TAS e beats criado por Nansy Silvvs, conta também com a participação de KL Jay, do Racionais. O disco segue um conceito, onde cada canção retrata o personagem em diversos momentos, ora difíceis, ora de glória. Rico em referências musicais, o rapper soteropolitano usa elementos da música nordestina e africana, como o batuque do Maracatu e do Candomblé.

Pra Quem Gosta De: Rap, Hip Hop
Melhor Faixa: En Tu Mira
Avaliação: 4,6/5

 

3. Cinnamon Tapes – Nabia

nabia-cinnamon-tapes.jpgCinnamon Tapes é um projeto da cantora e compositora Susan Souza que no mês de setembro lançou seu álbum de estreia, intitulado Nabia. O disco com 9 faixas tem como selo a Balaclava Records e contou com a participação do norte-americano Steve Shelley, antigo membro dos Sonic Youth, na bateria e na produção. Com quase quarenta minutos de duração, as faixas do disco trazem em sua sonoridade a leveza do folk, com algumas referências do indie rock e também da música popular brasileira.

Pra Quem Gosta De: Folk
Melhor Faixa: Salty Eyes
Avaliação: 3,7/5

 

4. Flora Matos – Eletrocardiograma

1504197820632-flora-matos-eletrocardiograma.jpegUm dos principais nomes do rap brasileiro, a produtora e rapper Flora Matos, lança o álbum intitulado Eletrocardiograma, depois de sete anos da mixtape Flora Matos vs. Stereodubs. Com 12 faixas, o trabalho produzido pela artista brasiliense em parceria com Iuri Rio Branco e CESRV, traz o reflexo de uma artista mais madura, com canções que abordam diversas questões de um relacionamento e suas experiências até hoje, acompanhadas por uma sonoridade de R&B, Trap e Soul, que traz uma certa leveza à obra.

Pra Quem Gosta De: Rap, Hip-Hop
Melhor Faixa: Parando as Horas
Avaliação: 4,1/5

 

5. Herod – Herod Plays Kraftwerk

sw0188_largeA banda de post-rock instrumental Herod, lança o projeto intitulado Herod Plays Kraftwerk, que consistem em um disco- tributo com versões de diversos clássicos do grupo alemão Kraftwerk, pioneiro da música eletrônica nos anos 70 e que ainda é fonte de inspiração para muitos artistas até hoje. No novo trabalho, os arranjos eletrônicos originais e os synths, são transformados e adaptados em efeitos de guitarras, baixo, bateria e pedais, trazendo elementos da música experimental e a identidade da banda nas versões.

Pra Quem Gosta De: Post-Rock, Experimental
Melhor Faixa: Radioactivity
Avaliação: 3,9/5

 

6. As Bahias e a Cozinha Mineira – Bixa

9e1d10845d32fde2a537275953e9572a.939x939x1Depois do aclamado Mulher (2016), o grupo As Bahias e a Cozinha Mineira, lança o segundo álbum intitulado Bixa. O novo trabalho com 10 faixas, conta com o álbum Bicho (1977), de Caetano Veloso como inspirador. Produzido por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, o disco se distancia da sonoridade do antecessor, trazendo elementos da música eletrônica e de outros ritmos regionais brasileiros como o techno brega. Apesar disso, as canções seguem a mesma proposta dramática, romântica e algumas vezes teatral do grupo.

Pra Quem Gosta De: Pop, MPB
Melhor Faixa: A Isca
Avaliação: 3,5/5

 

Ouça esses e outros lançamentos em nossa playlist O Que Tem de Novo? no Spotify!

 

 

 

 

 

 

 

 

Castello Branco está de volta com o disco “Sintoma”,

Uma das melhores surpresas dos últimos anos na música brasileira, o músico Castello Branco está de volta após quatro anos em hiato. O segundo disco intitulado Sintoma, está disponível nas plataformas de streaming desde o dia 01 deste mês e conta com a produção do próprio cantor em parceria de Lôu Caldeira e Ico dos Anjos, além das participações especiais de Mãeana e Filipe Catto. O álbum também contém uma versão da canção O Peso do Meu Coração, originalmente interpretada por Qinho.

No novo trabalho, Castello segue a estética sonora do álbum anterior Serviço, mantendo seus ritmos característicos, fazendo com que as 11 faixas seguem em uma continuidade. Apesar disso, Sintoma parece ter uma abordagem diferente do que seu antecessor. Enquanto o álbum lançado em 2014 retratava histórias relacionadas ao coletivo, o segundo disco é uma visão mais introspectiva do mundo.

O cantor aborda diversos temas, como a discussão de gêneros presente na faixa Coragem, além das canções românticas como as faixas Não Me Confunda Do Interior (com a participação de Verônica Bonfim), mostrando que o novo disco é coeso em seu conceito.

Xênia França estreia em carreira solo com “Xenia”

Xênia França, cantora conhecida por integrar o supergrupo Aláfia, começou sua carreira em 2007, quando cantava na noite paulistana sambas e clássicos da MPB no extinto grupo Capadoxe. Desde então, a artista se tornou uma referência de empoderamento e comportamento feminino, principalmente para as mulheres negras. Nesta sexta-feira, lança finalmente seu primeiro álbum solo, intitulado Xênia.

Gravado nos estúdios Red Bull Station, Carbono, El Rocha e Caso Raro, em São Paulo, o álbum com 13 faixas, contou com a produção da cantora em parceria de Pipo Pigoraro e Lourenço Rebetez. Russell Elevado, ficou responsável pela mixagem e Dave Darlington pela masterização. As composições contaram com as parcerias de Tiganá Santana, Theodoro Nagô, Tibless, Verônica Ferriani, Clarice Peluso, Luisa Maita e Chico César.

Em Xenia, a cantora, traz à tona questões como a Bahia, a existência, a beleza e o poder da mulher negra. O trabalho também traz novos elementos à sonoridade de Xênia como o pop e o jazz, mesclando com ritmos percussivos. Na faixa Pra Que Me Chamas?, por exemplo, França utiliza referências da música eletrônica para retratar questões relacionadas à apropriação cultural, onde uma cultura dominante adere de elementos específicos de outra cultura.

No novo trabalho, França reverencia a cultura negra, evidenciado na faixa Preta Yayá, onde a cantora canta “música preta, sou teu instrumento, vim pra te servir” e ao inserir a faixa Respeitem Meus Cabelos, Brancos, à obra. Além disso, o disco de estreia de Xênia França, coloca a mulher negra no centro do debate. Em faixas empoderadas como Tereza Guerreira e Breu (canção escrita depois do assassinato de Claúdia Silva), ou até mesmo na capa do disco com fotografia de Tomás Arthuzzi, e projeto gráfico de Oga Mendonça, a artista chama as mulheres para o questionar a auto-aceitação e a afirmação de sua identidade.

 

xenia-xenia-frança.jpegXenia
Xênia França
Produção: Xênia França, Pipo Pigoraro e Lourenço Rebetez
Pra Quem Gosta de: MPB, Soul, Jazz
Avaliação: 4,3/5

 

 

Maglore se reinventa em “Todas as Bandeiras”

Maglore com nova formação desde o começo do ano, está de volta com os integrantes Teago Oliveira (vocal e guitarra), Lelo Brandão (guitarra), Lucas Oliveira (baixo) e Felipe Dieder (bateria). O quarto álbum do grupo, intitulado Todas as Bandeiras, foi produzido por Rafael Ramos e Leonardo Marques e distribuído pela Deckdisk. O projeto gráfico foi criado por Azevedo Lobo e conta também com a mixagem de Otávio Carvalho, realizada no estúdio Submarino Fantástico e a masterização de Felipe Tichauer, no Redtraxx Music, na Flórida. Com 10 faixas, o registro apresenta uma evolução sonora da banda, trazendo elementos mais populares, com fortes influências do rock psicodélico e da música popular brasileira dos anos 1970 e 1980. Além disso, o disco se mostra mais visceral e político do que seus antecessores: Veroz (2011), Vamos Pra Rua (2013) e III (2015).

O primeiro single, Aquela Força, escrito por Teago em parceria com Luiz Gabriel Lopes da banda Graveola, é o responsável por iniciar os trabalhos do novo álbum. Trazendo os elementos da música setentista brasileira, o vocalista entoa os versos “Conservar a força que faça crer que o futuro será nosso amigo”, para afirmar a proposta de otimismo da canção que é reforçada através da sonoridade energética.

Em Todas as Bandeiras, a banda retrata os problemas da civilização atual em diferentes abordagens, mas todas em uma atmosfera solar. Na faixa-título, por exemplo, os versos “Quando nós nascemos fomos embalados/ E os mal fabricados, vamos descartar”, faz uma profunda reflexão, cercada por um certo tom de esperança. Além disso, a sonoridade “praiana” se faz presente, como na faixas Clonazepam 2mg, que tem todos os elementos para fazer parte de alguma trilha de verão e, claro, todo o potencial para se tornar um clássico do rock brasileiro. A canção Me Deixa Legal, traz também essa referência, e remete ao que a banda já produziu em álbuns anteriores.

A brasilidade de Maglore é evidente, principalmente na canção Jogue Tudo Fora, que junto com a Hoje Vou Sair, fala sobre liberdade e a necessidade de se reconectar consigo mesmo.

Mesmo em canções mais tristes como Quando Chove no Varal e eu Consegui, a banda mantém a energia da obra. Concluindo, Todas as Bandeiras, é uma obra coesa e mostra o quanto o grupo está empenhado em se renovar a cada trabalho.

 

maglore-todas-as-bandeiras-capa-696x696Todas as Bandeiras
Maglore
Produção: Rafael Ramos e Leonardo Marques
Gravadora: Deckdisc
Pra Quem Gosta de: Pop Rock
Avaliação: 4,6/5

11 discos lançados em agosto que você deveria ouvir

1. Abud – Vida Noturna

a3318252309_10.jpgTerceiro trabalho do produtor Walter Abud a sair pelo selo Beatwise Recordings, Vida Nocturna traz beats e synths inspirados em canções dos anos 1980, sons muito presentes em seus sets como DJ. Com um estética retrowave, o disco nos transporta para uma viagem noturna em um carro sintonizado na Alpha FM. Segundo Abud, as cidades que o inspirou na construção do disco foram São Paulo e Buenos Aires, cidades em que divide seu tempo.  O projeto gráfico, ajuda na construção da atmosfera do disco e foi produzido por Naño Ramirez e Carlitos Wake.

Melhor Faixa: Caça Fantasmas
Pra Quem Gosta De: Eletrônica, Synthwave 

 

2. Apanhador Só – Meio Que Tudo é Um

0aa4339c20d0851d9d6c4059d8063ada.960x960x1.jpgA junção do experimentalismo com a música popular brasileira é o ponto central do terceiro disco da banda. Em Meio Que Tudo É Um, o ritmo despretensioso segue o tom melódico que é afirmado novamente nas composições do grupo gaúcho. Com contraposições e excessos propositais, o novo trabalho soa mais indigesto que o antecessor Antes Que Tu Conte Outra, lançado em 2013. O disco foi gravado de forma independente através de um financiamento coletivo e contou com a produção da própria banda em parceria com Diego Poloni. 

Melhor Faixa: O Creme e o Crime
Pra Quem Gosta De: Rock, Experimental

 

3. Bonifrate – Lady Remédios

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O registro curto com um pouco mais de 17 minutos, do ex-Supercordas, Pedro Bonifrate, apresenta um disco conceitual onde as 5 faixas que o compõe, trazem diferentes perspectivas sobre a cidade onde o músico cresceu e voltou a morar, a vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty no Rio de Janeiro. Em Lady Remédio, Bonifrate, mescla ritmos folclóricos com elementos da música contemporânea, resultando em um folk psicodélico. As composições, muitas vezes melancólicas, afirma a atmosfera a proposta no registro.

Melhor Faixa: Lei de Remédios
Pra Quem Gosta De: Folk, Psicodelia

 

4. Chico Buarque – Caravanas

e094df42-4136-4338-be17-5cd15868b604_chicobuarquecaravanascapaalbumSete das nove faixas que compõe o vigésimo terceiro disco intitulado Caravanas do cantor Chico Buarque são inéditas (as outras duas foram escritas pelo músico, mas gravadas por outros artistas), e abordam diversos temas como racismo, lesbianidade e até sobre Havana, capital de Cuba. Com a participação de Rafael Mike (Dream Team do Passinho), Chico Buarque traz um frescor para sua obra, mostrando que pode se reinventar, apesar de trazer a sua visão lírica e poética de sempre, para as novas canções. Além de Mike, Clara Buarque e Chico Brown fazem parte do disco.

Melhor Faixa: Blues Para Bia
Pra Quem Gosta De: MPB

 

5. Far From Alaska – Unlikely

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O tão aguardado segundo disco da banda Far From Alaska, se mostra mais despretensioso do que seu antecessor modeHuman, lançado em 2014. A ideia era criar canções que fossem fáceis de cantar em shows. Além disso, todas as faixas levam no título o nome de um animal, conceito afirmado no projeto gráfico. Com 12 faixas, Unlikely foi gravado em Ashland nos Estados Unidos, graças a um financiamento coletivo e contou com a produção de Sylvia Massy, que já produziu grandes bandas como System Of A Down, Johnny Cash Red Hot Chilli Peppers.

Melhor Faixa: Elephant
Pra Quem Gosta De: Rock

 

6. Guilherme Arantes – Flores & Cores

500x500bb31.jpgAproveitando o embalo do aclamado Condição Humana, lançado em 2013, Guilherme Arantes apresenta seu vigésimo sétimo álbum (vigésimo primeiro de inéditas), intitulado Flores & Cores. Com capa ilustrada por Gil Tokio e projeto gráfico de Ana Turra, no novo trabalho com doze faixas autorais, é apresentado canções sobre amor, com sonoridades ensolaradas e alegres, trazendo uma pegada do pop brasileiro flertando também com o rock progressivo e a música romântica, conceito que o próprio músico produzia nos anos 1980.

Melhor Faixa: A Simplicidade é Feliz
Pra Quem Gosta De: MPB, Pop Rock

 

7. Mari Romano – Romance Modelo

img-1045391-mari-romano.jpgRomance Modelo, é o primeiro álbum de Mari Romano, que apesar de ser estreante na carreira solo, tem grande participação na cena independente carioca. Mari é artista plástica e integrante do supergrupo feminista Xanaxou (projeto que conta também com Bel Baroni) e do Mãeana, além de ter produzido outros artistas. O disco tem fortes influências da música brasileira setentista, flertando também com diversos gêneros musicais, como o samba e ritmos latinos. Além disso, o trabalho lançado pelo selo RISCO, apresenta composições um tanto lúdicas em alguns momentos.

Melhor Faixa: Suquinho de Suor
Pra Quem Gosta De: Pop Rock

 

8. Os Paralamas do Sucesso – Sinais do Sim

GRJWAmT02KwBNw7JQTeA_capa-OS-PARALAMAS-DO-SUCESSO.jpgOito anos, é o tempo que separa o último disco de inéditas da banda Os Paralamas do Sucesso, do novo disco intitulado Sinais do Sim. Produzido por Mário Caldato Jr. (Marisa Monte, Nação Zumbi, Beck e Bestie Boys), o disco é provavelmente um dos trabalhos mais roqueiros da discografia do grupo. Além de canções românticas, o álbum retrata em suas 11 faixas questões políticas e a situação atual do país, tema delicado, mas abordado com muito otimismo. Apesar da obra não ser inovadora, o disco se sai bem mantendo-se fiel a sonoridade característica da banda.

Melhor Faixa: Medo do Medo
Pra Quem Gosta De: Pop Rock, Rock

 

9. Paulo Miklos – A Gente Mora no Agora

paulomiklosagora.jpgO terceiro disco solo do músico Paulo Miklos intitulado A Gente Mora no Agora, traz mensagens otimistas para os momentos difíceis. Com 13 faixas o trabalho do ex-Titãs, foi produzido por Mário Caldato Jr. e conta também com participações de artistas veteranos e alguns novatos nas composições como Emicida, Céu, Silva, Mallu Magalhães,  Guilherme Arantes, Erasmo Carlos e Nando Reis. O disco mostra um novo caminho para a música de Miklos, que retrata em suas canções diversos temas de forma leve e totalmente honesta.

Melhor Faixa: Vou Te Encontrar
Pra Quem Gosta De: Pop Rock, MPB

 

10. Pavilhão 9 – Antes Durante Depois

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Pavilhão 9 está de volta com o álbum Antes Durante Depois, depois de 11 anos em hiato. Com o projeto gráfico assinado por Leandro Dexter, o novo álbum conta com 10 faixas e aborda a realidade das periferias, da situação política atual do Brasil e até sobre a crise imigratória. No sétimo disco, a banda mantém a sonoridade que se define na fusão do hardcore com o hip-hop, conceito que a fez conhecida na década de 90 e que inspirou diversas bandas nacionais. Com faixas curtas, o álbum tem quase 30 minutos de duração, fazendo com que a mensagem discorra facilmente.

Melhor Faixa: Tudo Por Dinheiro
Pra Quem Gosta De: Hardcore, Hip-Hop

 

11. Tribalistas – Tribalistas 

58510-CAPA_TRIBA_APROVADA_20ok.jpgDepois de 15 anos da estreia do projeto, o grupo formado por três grandes nomes da música popular brasileira, Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown está de volta. O novo registro com 10 faixas dos Tribalistas, soa como uma continuação do primeiro e homônimo disco, lançado em 2002. O álbum não traz nada inovador, apesar das poucas mudanças na abordagem, principalmente nas composições, que se tornaram mais densas e políticas. Contudo, o álbum é perfeito para quem esperou por tanto tempo um novo trabalho do trio.

Melhor Faixa: Aliança
Pra Quem Gosta De: MPB

O Outro Lugar de Tetê Espíndola

Tetê Espíndola, está de volta. Depois de três anos em hiato, a cantora sul mato-grossense lança seu décimo-oitavo álbum de inéditas. Outro Lugar, conta com 12 faixas, sendo que a maioria foi composta por Tetê. As outras contaram com os parceiros Arnaldo Black, seu marido, Bené Fonteles, Geraldo Espíndola, Marta Cartunda, Arrigo Barnabé, Luisa Gimenez, Phillipe Kadosh Manoel de Barros, no período de 1973 a 2013. Apesar da grande distância temporal entre elas, as canções soam muito lineares, como se tivessem sido escritas na mesma época e na mesma ordem em que elas foram apresentadas.

O disco tem início com a faixa Andorinha, canção composta por Tetê em 1985, em uma passagem da cantora por Brasília, e prepara o ouvinte do que será apresentado no decorrer da obra: um ser no anseio de se encontrar e encontrando seu lugar. O “outro lugar” que Tetê retrata no disco, não é só representado por elementos geográficos, mas também é a materialização de momentos abstratos. Como a própria artista relatou ao Lado B, “[…] é um lugar dentro da gente, dentro de cada um. Cada um tem que achar o seu lugar, de paz, aquela coisa que te satisfaz. Pode estar no caos de São Paulo ou no meio do Pantanal”.

O álbum que também possui composições mais leves como Lamber Correnteza, escrita em parceria com Bené Fonteles, que traz acordes de violão muito sutis, traz também canções um tanto melódicas como a faixa Onda do Tempo, onde a artista usa elementos do samba para argumentar como o tempo pode ser transformador.

Em um dos momentos lúdicos do álbum, na faixa Itaverá, composta pelo irmão de Tetê, Geraldo Espíndola, o ouvinte é imerso em uma sonoridade que transmite a essência da música sertaneja, o transportando para um sentimento forasteiro. A mesma atmosfera é encontrada na música Aconchego.

As canções foram compostas em diversas cidades como São Paulo, Campo Grande e até Paris, o só reforça o conceito do álbum. Além do êxito na produção, o projeto gráfico do disco também chama a atenção. As fotos do álbum foram feitas por Patrícia Black, filha da cantora e a arte gráfica ficou por conta do designer Uibirá Barelli.

e8f32175494772e46db5b8a810348bab.690x690x1.jpgOutro Lugar
Tetê Espíndola
Produção: Tetê Espíndola, Adriano Magoo e Sandro Moreno
Gravadora: Independente
Pra Quem Gosta De: MPB
Avaliação: 3,6/5

 

Produtores renomados recriam músicas do Avec Silenzi no álbum “Avec V”

Um ano após divulgar seu terceiro trabalho, em 2016, a banda de post-rock instrumental Avec Silenzi formada por Renan Vasconcelos (guitarra), Rafael Ferreira (baixo) e Eduardo Souza (bateria), lança o álbum intitulado Avec V, pelo selo holando-brasileiro Tropical Undergrounds em parceria com o paulista Sinewave.  O álbum contém cinco canções que foram recriadas por alguns dos mais promissores nomes da cena eletrônica. Estão presentes no trabalho, os brasileiros Pigmalião, Sentidor e Bemôniode, o argentino Pablo Crisci e, por fim, o espanhol Carlos Martín, conhecido como Mynationshit.

A ideia do registro é trazer novas propostas para as mesmas músicas, em um intercâmbio criativo. Em comum com as composições originais, os remixes têm a verve climática que o instrumental da banda é capaz de construir.